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isso é roubo

Ora vamos cá pensar como deve ser!Quando vamos aos níscaros e aos cogumelos, ou aos micos, andamos só nas nossas terras? De certeza que não! Ninguém tem tantas terras com níscaros e cogumelos! Então o que andamos a fazer é andar a roubar à descarada. É um roubo geral e é sempre a ver quem rouba mais. Até me admira como com gente de tão brandos costumes como são os barrosões não se ter dado ainda bordoada da grossa! Lameiro acima, lameiro abaixo, poula acima, poula abaixo a roubar! Isto é uma vergonha! Uma vergonha generalizada! Rouba-se no sábado e durante a semana, quando se pode, e no domingo vamos à missinha! E voltamos de tarde a ver se ainda apanhamos aquele sitiozinho ainda sem ter lá passado gente! Que vergonha! E o que se rouba é bem bom, sabemos disso. Ainda a vergonha deve ser maior! A não ser que se apanhem só nos baldios, nos que ainda existem!Já alguém se lembrou de ir roubar à descarada as couves, as cebolas ou as cenouras dos vizinhos! Não, pois não? Pelo menos de dia!É ...

micológico

Micológico? Ele o que é isso? Um Encontro Micológico? É um encontro de micos? De micoses? E diz que vão aos cogumelos, onde cabem também os míscaros! Mau!! Ou isto são modernices ou andamos todos a brincar. Cogumelos conheço! E são bem bôs! Míscaros? Sempre lhe ouvi chamar nícaros, sempre lhe chamei níscaros e há-de assim ser sempre! É a tradição. Mas alguém vai aos míscaros? Quando muito irá aos niscros... tão aceitável como níscaros. Ou atão estou enganado! Hadem ir apanhar coisas que eu não conheço. Deve ser isso! Pensando melhor... Isto dos micos tem que ver com fungos... É disso que andam à procura... É andar a saber de qualquer coisa que se encontra nos mesmos sítios onde toda a gente anda à cata do delicioso manjar! Entretanto, apanham também uns cogumelos e uns níscaros e juntam tudo para a festa.Mas, se estou redondamente enganado, o tal encontro podia chamar-se, recuperando para o exterior um vocábulo raro, Níscaro Encontro Micológico MONTALEGRE Era lindo... Ainda bem que h...

antropética

Entrou-se, ontem, na tão aguardada temporada de caça.Quando o dia nasceu, já coelhos e lebres tinham os apetrechos prontinhos para começar a descer o monte à procura das presas indefesas. É desporto, e como tal, tem de ser aceite. Dispersos, caminham lentamente, de olhos bem abertos e orelhas arrebitadas, à espera de surpreender algum espécime mais retardado à saída de qualquer toca quando o dia começa a romper. Depois, dispõem-se em locais determinados de onde possam avistar todo o movimento e atingir prontamente os mais incautos humanos.Quando o dia é já claro, começam a sair as presas. As mais madrugadoras. São surpreendidas por enormes saltos, logo ao pisarem a soleira. Atingidos por aquelas patas mortíferas, tentam ainda resistir aos ferimentos, arrastando-se novamente para o interior. Mas é tarde. O golpe mortal foi executado e resta apenas o de misericórdia. Com o decorrer da manhã, a mortandade é uma agradável visão. Coelhos e lebres são caçadores astutos e de impressionante ...

Vilar de Perdizes XX

Vinte anos!! Já está grande! Ou, talvez, não! O Congresso, assim lhe chamam, de Medicina Popular, com bruxos, videntes, bidentes, brasileiros afamados, leitores manuais e até podais, cartomantes e buziantes, leitores de ossos, bruxas, grandes, médias e pequenas, made in China, penduradas em molas saltitantes ou a abanar-se em pequenos pedestais, de gargalhadas irritantes, com olhos e mamas reluzentes ao som de palminhas, e tudo o mais que vai aparecendo, pareceu-me moribundo... Talvez os licores me tenham dado volta ao miolo, talvez o palavreado do padre (será?) Gama me tenha deixado confundido, talvez a queimada estivesse demasiado doce... mas pareceu-me moribundo. Salvem-se os deliciosos licores e o valor terapêutico das plantas, para demolhar ou não, que é o que ainda pode salvar-se... e as bases lançadas pelo Padre Fontes.Viva Vilar de Perdizes! Quanto ao resto...